quarta-feira, 14 de maio de 2014

Análise da crítica de Nirlando Beirão ao programa de Danilo Gentili no SBT.

Publicado em 14/05/2014 por Rômulo Rosa

O colunista Nirlando Beirão e o humorista Danilo Gentili
Nirlando Beirão em sua coluna no site da Carta Capital, no dia 05 de maio, faz uma crítica ao programa, The Noite apresentado por Danilo Gentili no SBT. O título de sua postagem é “Humor de tirar o sangue no SBT”. Em seu texto Nirlando, foca suas críticas no tal apresentar que tem uma fama de fazer piadas preconceituosas e de mal gosto.


O texto incia com o autor falando como foi seu primeiro encontro com o humorista.” A primeira vez que vi Danilo Gentili foi na noite em que Dilma Rousseff ganhou a eleição presidencial e, à saída da festa num hotel em Brasília, um repórter grandalhão e afoito, brandindo aquele microfone covarde do CQC, tentou acuar, humilhar e insultar o ex-presidente José Sarney, que deixava o recinto”, relata o colunista. Boa parte de seu curto texto ele crítica veemente o ex programa a qual o humorista trabalha, o CQC e o próprio, agora apresentador do talk show da SBT.


Sengundo Cintra Torres, crítico de televisão português, o crítico deve criticar a “obra e não o autor”. Neste caso em específico, Nirlando Beirão faz críticas somente a Danilo Gentili que é o apresentador do programa. Seguindo a mesma linha de Torres, a crítica em si tende a apresentar “soluções”, ser construtiva. Neste caso a critica não apresenta nem um desfecho, apenas acusa o apresentador de racista e suas piadas de ter um humor ofensivo.


Nirlando Beirão, escreve para uma revista especializada, a Carta Capital. Com uma editoria mais de esquerda, a revista que também tem sua página na internet, tem um público mais politizado e de um certo “nicho” político-social. Os leitores compartilham da mesmo ideia do jornalista, já que o veiculo publica matérias que geralmente faz criticas a estas manifestações preconceituosas.


O título do post leva ao leitor entender que a critica será ao “The Noite”, durante todo texto. Mas só no último paragrafo o autor cita o nome do programa. Além de enfatizar que o Talk Show é da mesma emissora que a jornalista Rachel Sherherazade, ele também comenta sobre futuro “promissor” de Gentili na televisão.”A grosseria intrínseca de uma personalidade doentia promete para ele um luminoso futuro na tevê”, ressalta o colunista.


Colocando mais lenha na fogueira, Nirlando, relembra a mobilização coletiva em torno do gesto antirracista do lateral Dani Alves e também do processo contra Danilo Gentili, que o acusa de injuria racial. A acusação aconteceu quando o apresentador ofereceu uma banana para um internauta negro pelo twitter .O Magistrado Marcelo Matias Pereira que julgou o caso, resolveu absorvê-lo do crime, por não caracterizar o “tweet” do humorista como uma ofensa.

Assim comparando os dois casos o jornalista esquece de uma analise mais a fundo do programa e foca suas criticas a Danilo Gentili. Se o subtítulo da matéria nos promete que será apresentado “impressões o programa The Noite”, é de esperar uma crítica ao formato ou a estrutura do programa e não as atitudes preconceituosas de seu apresentador.

Uma análise sobre o texto "O 'Esquenta', de Regina Casé, é o programa mais racista da TV?"



No texto O “Esquenta”, de Regina Casé, é o programa mais racista da TV? Marcos Sacramento descreve o contexto do programa para que o leitor de fato possa ler a TV, como propõe Eduardo Cintra Torres. Ao simular o olhar do leitor, dizendo como provavelmente ele enxerga o programa, a crítica ganha identificação por parte do ouvinte. Quem lê o texto entende que aquilo passa a falar sobre algo que ele concorda. Ao mostrar outra visão ele também ganha por fugir do lugar-comum, mostrar um ponto de vista inovador e que desperte curiosidade no leitor.

Ao utilizar trechos como “respeito e até admiro formas de cultura vindas do gueto” e “essa festa maluca” o texto acaba se tornando mais agressivo e passa a expressar um ponto de vista muito baseado na experiência e opinião pessoa do autor. Ele “’até’ admirar” da a entender que a cultura periférica é algo que normalmente não mereça essa admiração. Ou ele caracterizar o programa como uma reprodução do cotidiano nas favelas e classificá-lo como uma “festa maluca” promove um juízo de valor impróprio para uma crítica cultural.

A partir daí ele chega no ponto central do texto: a discussão sobre o esterótipo que o programa cria em relação ao negro no Brasil. Se valendo de argumentos pontuais, mas precisos, ele enumera o que a produção trata como geral e que na verdade representa apenas uma parte do que a população negra traduz.

Entre diversos outros juízos de valores, Marcos Sacramento conclui seu pensamento e mostra através de informações que os leitores provavelmente conhecem, caso do fato de uma garota como a que aparece em seu programa nunca ser capa de uma revista Marie Claire, uma nova perspectiva sobre o impacto do Esquenta na saciedade. A crítica é positiva por demonstrar essa nova possibilidade, mas perde por não a´presentar um desenvolvimento sólido e isento de experiência pessoal.